Uma viagem de aventura para Queenstown

Confira o relato da viagem à Queenstown do Silas, do blog Desviantes

Recebemos o Relato de Silas Barbi, fundador do Desviantes Turismo de Aventura, site de busca de roteiros e atividades de turismo, que tem como objetivo ajudar as pessoas a encontrar e vivenciar aventuras na natureza.

Relato de Viagem Queenstown

A viagem para Queenstown aconteceu durante uma trip de dois meses que fiz pela Nova Zelândia. Meu maior objetivo durante a estadia neste país foi percorrer a maior quantidade possível de trilhas de trekking e me aventurar ao máximo. A Nova Zelândia é referência mundial quando o assunto é trekking. Além de possuir trilhas em cenários de natureza pitoresca, a estrutura das trilhas é excelente e os parques são realmente levados a sério pelos órgãos do governo.

Cheguei em Queenstown voando direto de Auckland. Quando se está chegando no aeroporto, já dá para ter uma ideia da quantidade de montanhas que cercam Queenstown. O avião desce por meio de um pequeno vale entre as montanhas e o final da pista de pouso acaba adivinha onde? Em uma montanha!

Foto do avião se aproximando de Queenstown. Foto: Silas Barbi
Foto do avião se aproximando de Queenstown. Foto: Silas Barbi
Lago Wakatipu no centro de Queenstown. Foto: Silas Barbi
Lago Wakatipu no centro de Queenstown. Foto: Silas Barbi

Lago Wakatipu

Um lago esverdeado, Lago Wakatipu, contorna praticamente toda a cidade e faz um lindo contraste com as montanhas acinzentadas ou nevadas, se for inverno.

O local lembra uma vila bem simples e de poucos habitantes. Vários jardins, muito bem cuidados, estão espalhados na região central que é bem servida de bares e restaurantes. Grande parte do agito da cidade está por conta das aventuras.

Esportes de Aventura

Queenstown é a capital neozelandesa dos esportes de aventura e adrenalina. Nos entornos da cidade opções para se aventurar não faltam: Salto de bungee jump, Voo de parapente, Passeio de Quadriciclo, Trilhas de Mountain Bike, Estações de Ski e claro, trilhas para trekking.

Jardim em Queenstown. Foto: Silas Barbi
Jardim em Queenstown. Foto: Silas Barbi
Voo de Parapente no Lago Wakatipu. Foto: Silas Barbi
Voo de Parapente no Lago Wakatipu. Foto: Silas Barbi

Apesar de Queenstown ser um lugar muito agradável, minha estadia na cidade propriamente dita não durou muitos dias. Minha passagem por lá tinha um bom motivo: Queenstown é a cidade de onde partem os ônibus para Te Anau, uma mini cidade, com apenas 2 mil habitantes.

Mas que diabos iria eu fazer nesta cidade com nome suspeito? O motivo é simples, eu queria percorrer a Milford Track, que apesar de estar muito próxima de Queenstown, só pode ser acessada por Te Anau, pois não existem estradas diretas, por conta da cordilheira que existe na região.

Milford Track

A Milford Track é considerada uma das caminhadas mais bonitas do mundo. São ao todo 53,5 quilômetros, 4 dias de caminhada em 3 pernoites.

A paisagem da trilha é muito diversa, passando por trechos de floresta densa, vales montanhosos, regiões alpinas e muitas cachoeiras.

Para completar, a trilha acaba em Milford Sound, um Fiorde. Para quem nunca ouvir falar, Fiordes são grandes entradas de mar entre altas montanhas rochosas, criados por erosão glacial.

Trecho inicial da Milford Track. Foto: Silas Barbi
Trecho inicial da Milford Track. Foto: Silas Barbi
Fiorde Milford Sound. Foto: Silas Barbi
Fiorde Milford Sound. Foto: Silas Barbi

A Milford Track é muito bem organizada pelo Departamento de Conservação e você precisa comprar um ticket para poder fazer a trilha. Eu recomendo comprá-lo com pelo menos 1 mês de antecedência, pois a procura é muito alta e somente 40 pessoas por dia podem entrar na trilha.

O ticket dá direito não apenas de fazer a travessia, mas também de passar o pernoite nas cabanas ao longo do percurso. As cabanas são muito bem organizadas, com direito a colchonete, lareira e até agua encanada, se tiver chovido alguns dias antes.

Quando percorrer a Milford Track

O período do ano mais aconselhável para fazer a Milford Track é durante os meses mais quentes, de Outubro a Abril, pois durante o inverno as condições climáticas tornam a caminhada mais arriscada.

Eu fiz a trilha durante o mês de novembro, quando o gelo já está derretendo e o frio não é tão intenso. Apesar disso, ainda assim, peguei temperaturas negativas e muita neve.

Para quem quer saber um pouco mais sobre a trilha em si, vou fazer um breve descritivo dos 4 dias:

Dia 1: O primeiro dia da aventura começou bem cedo. Me apresentei na sede do Departamento de Conservação, onde todas as 40 pessoas que iniciariam a trilha neste dia deveriam se unir. De lá, fomos levados de ônibus até um porto, de onde seguimos de barco até o início da trilha.

No primeiro dia a trilha é leve. Toda a caminhada é por trechos de floresta densa e o caminho é plano. O primeiro dia serve mais como um treino, foram apenas 5 km de trilha até a cabana onde fiz o pernoite.

Início da Milford Track, trecho de floresta. Foto: Silas Barbi
Início da Milford Track, trecho de floresta. Foto: Silas Barbi

Dia 2: O segundo dia é mais puxado. São ao todo 16,5 km de percurso. A trilha começa a subir em sentido ao Alpine Pass, o ponto mais alto da Milford Track. No final deste percurso, começou a nevar e o frio foi intensificando, por sorte eu já estava muito próximo da cabana onde faríamos o pernoite.

Nesta noite nevou muito, a ponto de quase sermos obrigados a abortar a missão e não prosseguir, pois no dia seguinte passaríamos pelo ponto alpino e a grande quantidade de neve tornaria a travessia impossível.

Ponte no meio do trajeto do segundo dia. Foto: Silas Barbi
Ponte no meio do trajeto do segundo dia. Foto: Silas Barbi

Dia 3: Em cada cabana existe um funcionário do Departamento de Conservação e por muita sorte ele permitiu que seguíssemos a caminhada. No entanto, ele seguiu conosco em boa parte da trilha para garantir nossa segurança. Ele foi muito prestativo, em vários momentos removia com uma pá o excesso de neve que bloqueava a trilha e assim podíamos passar com segurança.

Neste dia, o percurso foi de 14 km e o maior inimigo foi o frio. Não havia condições de parar por um segundo, pois o corpo esfriava e lá vinha um frio tremendo, então sempre seguia caminhando em ritmo acelerado.

Cheguei na cabana de pernoite já ao anoitecer, comi e fui logo dormir, estava muito frio e queria apenas ficar dentro do saco de dormir.

Muita neve, neblina e vento no terceiro dia. Foto: Silas Barbi
Muita neve, neblina e vento no terceiro dia. Foto: Silas Barbi

Dia 4: Último dia, porém o de maior quilometragem. Estre trecho é um dos mais exóticos, passa por cachoeiras bélissimas que fazem o cenário parecer um quadro. Foram 18 quilômetros, descendo quase sempre, até chegar ao final da trilha, Sandfly Point.

De lá, tomamos um barco que nos levou por um passeio por Milford Sound. Foi realmente impressionante ver aquelas cachoeiras caindo direto no mar. Do barco, tomei um ônibus e cheguei novamente em Te Anau.

Cachoeira no quarto e último dia. Foto: Silas Barbi
Cachoeira no quarto e último dia. Foto: Silas Barbi

A viagem para Queenstown e Milford Track foi um grande marco na minha vida. De volta para o Brasil, resolvi orientar minha vida profissional também para as atividades de aventura e junto com o meu sócio, Flávio Nodomi, fundei o Desviantes.

Espero que gostem do relato e que venham a viver muitas aventuras! Para quem quiser conhecer mais sobre o Desviantes:

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André Morato
Nasci em Divinópolis, interior de Minas Gerais, onde moro atualmente. Sou solteiro, colunista, blogueiro, viajante, designer gráfico, agente de turismo... (Oferecimento: Bombril. 1001 utilidades!). Apaixonado por viagens e por fotografia. Viajei para vários lugares no Brasil e no mundo mas confesso, tem muita coisa que ainda quero conhecer. Criador e editor deste blog. Saiba mais...

4 COMENTÁRIOS

  1. Mto legal o post e as dicas. Vou conhecer a Nova Zelândia em abril. Estou precisando de um seguro viagem. Alguém me indica uma empresa de confiança? Abç.

  2. Olá! Muito legal sua descrição da Miflord track! Minha esposa e eu estamos indo agora de 6 a 9 de novembro fazer a trilha ! Você foi ano passado, já que disse que foi em novembro? Pegou neve somente no trecho mais alto? O que levou de comida? Levou algum casaco mais pesado por conta de neve? O que levou em sua backpac?

    Abraços

    • Oi Rodrigo! Que legal que vocês estão indo para lá, é uma experiência incrível.
      Quando eu fui, a neve estava um pouco tardia, normalmente em novembro só há neve no Alpine Pass e a neve já está em degelo. No entanto, quando eu fui, nevou logo no segundo dia de caminhada, quando ainda estava em baixa altitude e a neve continuou até a manha do terceiro dia, o que deixou muita neve na trilha. Inclusive, o supervisor da Cabana 2 estava cogitando cancelar a nossa subida até o Alpine Pass, mas ele optou por permitir a nossa passagem, e nos guiou durante o trecho mais crítico. No terceiro dia, já não estava mais nevando, mas realmente tinha muita neve por lá e do nada vinham umas pequenas tempestades de neve que cobriam toda a visão. Foi uma baita aventura. Quando você estiver em Te Anau, se informe das condições da trilha, eles vão passar o briefing completo e não se preocupe, é tudo muito organizado! De roupas é muito importante levar um anorak que seja impermeável, na realidade é obrigatório porque chove muito por lá. Vale a pena levar um casaco pesado sim, algo para temperaturas negativas, como aquelas blusas de pena de ganso que vende na Decatlon, sabe? São leves e esquentam. De comida, a gente não tinha muito tempo para se alimentar durante a caminhada, então levei barrinhas de cereal, maças e preparava lanchinhos de queijo para comer de “almoço”. A noite comia algo mais pesado: umas sopinhas enlatadas, macarrão com calabresa e comida desidratada (purê de batatas). Nas cabanas vocês encontram colchão, então não precisa levar isolante, nem nada do tipo, apenas um bom saco de dormir. Nas cabanas também tem fogão a lenha, mas a competição por eles é grande, então pode valer a pena levar um fogareiro para preparar o jantar. Espero que tenha ajudado vocês! É uma trilha encantadora que você percorre com pessoas do mundo todo e acaba fazendo bons amigos 🙂
      Boa aventura!
      Silas do Desviantes

      • Olá companheiro,
        Muito obrigado pelo seu comentário sobre Milford Trekking.
        Para 2016 estou indo para Austrália e gostaria fazer o Trekking Milford.
        Preciso saber se nos albergues onde se pernoita tem refeição quente ou temos que levar comida e fazer..???
        Obrigado

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